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Eleições 2018 - Entrevista com os candidatos ao Governo de SC

26 Outubro 2018 10:25:00

Candidatos Gelson Merísio (PSD) e Comandante Moisés (PSL) falam sobre os resultados obtidos nas urnas no primeiro turno e as estratégias de campanha para vencer as eleições.

FONTE: REDE CATARINENSE DE NOTÍCIAS

"É necessário saber ouvir as pessoas" - Comandante Moisés - Candidato ao governo do Estado - PSL 

Carlos Moisés da Silva, o Comandante Moisés, contrariou todas as pesquisas de primeiro turno, onde aparecia em quarto lugar, e manteve-se na disputa. O candidato obteve 1.071.406 votos, representando 29,72% do total de votos válidos, logo atrás de Gelson Merisio (PSD).

Jornais Adjori/ADI - Pesquisas internas apontavam que o senhor iria para o segundo turno ou o resultado foi uma surpresa?

Comte. Moisés - As pesquisas internas, e principalmente a percepção que tínhamos nas ruas, indicavam que teríamos, sim, uma boa votação. Calculávamos que obtendo 20% dos votos, estaríamos no segundo turno. E que seria com outro candidato: MDB, nós e PSD. Nesta ordem. Quando a apuração foi concluída, fizemos 29%, índice muito diferente daquele anunciado três dias antes da eleição. Eles deram 9% de intenção de votos e nem margem de erro aproximaria este valor do que realmente obtivemos.

Adjori/ADI - A que o senhor atribui a ida para o segundo turno, sendo que nas pesquisas aparecia em quarto lugar?

Moisés - O que eu vejo é que as pesquisas eram falsas. Não se sabe se por metodologia ou intencionalmente. De fato, não houve um crescimento absurdo nos últimos três dias. As urnas só mostraram a realidade que víamos nas ruas.

Adjori/ADI - O que mudou na estratégia da campanha no segundo turno das eleições?

Moisés - Passamos a ter o mesmo tempo de TV e rádio que o nosso concorrente. Eu tinha sete segundos e agora tenho cinco minutos. É uma vida! Dá para fazer uma novela! (risos). Por isso, a estratégia se volta mais para TV e rádio. Já temos mais de 60 mil seguidores no Facebook, nossa principal rede social. E isso em um espaço de tempo muito curto. Nossa página é a que tem mais engajamento dos internautas. Os grupos de WhatsApp também foram e são importantes. São pelo menos 500.

Adjori/ADI - A onda de fake news afetou o segundo turno?

Moisés - O primeiro turno foi tranquilo, talvez porque não éramos uma ameaça. Tão logo passamos para o segundo turno começaram as fake news e também os ataques pessoais. O problema é que as mentiras não atingem somente o candidato, mas corporações, organizações e até outros partidos.

Adjori/ADI - As propostas permanecem as mesmas ou há novas percepções após percorrer o Estado durante a campanha?

Moisés - Nosso plano de governo foi aperfeiçoado durante a corrida eleitoral. Percorrendo o Estado, percebemos as demandas de comunidades, de setores econômicos, de trabalhadores rurais. Uma das características necessárias é saber ouvir as pessoas. Governar para o próprio governo ou ter um programa rígido, inflexível, não nos leva a lugar nenhum.

Adjori/ADI - O senhor eleito aqui e o Bolsonaro eleito presidente, o que pode vir do modelo de gestão federal para o Estado?

Moisés - São muitas as coincidências nas propostas, principalmente no que diz respeito às principais tarefas do Estado: saúde, educação, segurança e infraestrutura, para que o empreendedor possa crescer e gerar emprego e renda. Também segurança jurídica, seja para a atuação do policial, do empreendedor no que diz respeito ao meio ambiente, ao turismo, ao investimento em tecnologia. Há um alinhamento de pensamento do que queremos para o Brasil e para Santa Catarina.

Adjori/ADI - Em que aspectos o comandante Moisés se assemelha e em quais se diferencia do capitão Jair Bolsonaro?

Moisés - Até onde eu sei, Bolsonaro passou pela máquina pública, no caso dele no Legislativo, de forma íntegra, ilibada, sem deixar mácula. Nisso eu me assemelho a ele. Tenho uma história de mais de 30 anos como bombeiro militar e sem manchas. Na questão pessoal, o que nos diferencia é que somos pessoas que se expressam de maneira diferente, apesar do pensamento convergente para projetos e planos de governo. Cada um tem seu estilo, sua forma de apresentar ideias e um temperamento diferente.

Adjori/ADI - Caso eleito, qual a primeira medida a ser efetivada e que poderá já estar na agenda dos catarinenses?

Moisés - A despolitização dos setores públicos naquilo que compete ao Executivo nomear, e o enxugamento da máquina pública, incluindo o encerramento das regionais. São ações que vão trazer retorno imediato para o contribuinte, porque o dinheiro economizado vai se reverter em benefício direto para os cidadãos. Para a ocupação dos cargos, vamos nos basear principalmente em critérios técnicos. Não vamos trabalhar nomes ou indicações antes de passarmos nesse vestibular que é a eleição. Se o eleitor entender que devemos governar Santa Catarina a partir de janeiro de 2019, só então começaremos a fase de transição e composição.

"Está em jogo o futuro dos catarinenses" - Gelson Merisio - Candidato ao governo do Estado - PSD | Coligação Aqui é trabalho 

Gelson Merisio conquistou no primeiro turno a confiança de 1.121.869 eleitores, o que representou 31,12% dos votos válidos. Isso fez com que ficasse em primeiro lugar na disputa pelo governo de Santa Catarina, ao lado de Comandante Moisés (PSL)

Jornais Adjori/ADI - As pesquisas internas apontavam que o senhor iria para o segundo turno com o Comandante Moisés, ou foi uma surpresa?

Gelson Merisio - Independentemente do resultado, a missão é a mesma: apresentar nossas ideias e convicções para os eleitores catarinenses. O nosso objetivo é seguir trabalhando forte, do nascer ao pôr do sol, visitando nossos municípios e ouvindo as pessoas. As nossas pesquisas, e até mesmo aquelas divulgadas na imprensa, indicavam que estaríamos no segundo turno contra o MDB e em segundo lugar. Mas, o eleitor escolheu diferente e nos colocou em primeiro lugar na primeira etapa.

Adjori/ADI - Que recado foi dado pelos catarinenses ao deixar de fora nomes consolidados na política?

Gelson Merisio - Antes da eleição começar, entendia que viveríamos um momento diferente e que seria possível conversar de forma mais direta com a sociedade, falar a verdade abertamente ao abordar temas difíceis e, mesmo assim, ter êxito eleitoral. Até muito pouco tempo atrás, enfrentar temas difíceis praticamente inviabilizava projetos eleitorais. Essa é a grande virtude das redes sociais, que permitem um contato permanente com o eleitor para explicar propostas e combater a difamação gerada pelas notícias falsas.

Adjori/ADI - A onda de fake news afetou o segundo turno?

Gelson Merisio - Fui o principal alvo de fake news durante o primeiro turno. Os ataques começaram ainda na pré-campanha. Entristece-me relatar que ainda não se encerraram. Mesmo assim, o fato de eu ter sido o primeiro colocado no dia 7 de outubro mostra que as mentiras não encontraram eco entre os eleitores. O catarinense é inteligente e sabe diferenciar as invencionices caluniosas das informações reais.

Adjori/ADI - Seu apoio a Bolsonaro foi polêmico, com partidos pedindo para sair da coligação. O mesmo apoio não ocorreu por parte do presidenciável do PSL. O senhor esperava um retorno mais positivo?

Gelson Merisio - O próprio Jair Bolsonaro deixou claro que quem irá escolher o futuro de Santa Catarina são os catarinenses. Eu abri meu voto para o Bolsonaro porque fiz questão de mostrar de qual lado do rio estaria e estou. Nunca pedi nada em troca, apenas mostrei o que acredito ser melhor para o Brasil: eleger Bolsonaro presidente. A polarização entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro acabou sendo antecipada para o primeiro turno e tive que abrir meu voto. O que nós queremos agora é fazer um debate relevante sobre Santa Catarina. O que estará em jogo é o futuro dos catarinenses, que precisam ter segurança, saúde e educação de qualidade, no que faz muita diferença o preparo e a experiência de gestão.

Adjori/ADI - As propostas permanecem as mesmas ou há novas percepções ao percorrer o Estado?

Gelson Merisio - As propostas que apresentamos são de grande aceitação por parte da sociedade. Vamos reforçar o efetivo da polícia em cinco mil homens com a reconvocação voluntária de policiais da reserva, aumentando de 10 mil para 15 mil nossa primeira força de combate ao crime. O fim da geografia das urnas e a busca por uma gestão mais técnica no governo, com o corte de 1.400 para apenas 200 cargos comissionados é outro compromisso. E a garantia de que no mínimo 50% dos cargos de liderança no governo serão ocupados por mulheres também é prioridade. Essas são algumas medidas que já temos no nosso Plano de Governo e que mostramos ao longo dessa caminhada como iremos executar. Acredito que a experiência de gestões à frente do Sebrae, da Facisc e da Assembleia Legislativa me permitirão colocar em prática no Executivo ações que eu já apliquei nesses lugares. 

Adjori/ADI - Caso eleito, qual a primeira medida a ser efetivada e que poderá já estar na agenda dos catarinenses?

Gelson Merisio - Temos uma agenda extensa de primeiro dia caso a população escolha nossas propostas: declarar guerra ao crime organizado como primeira medida da prioridade para a segurança pública; extinguir totalmente as antigas secretarias regionais; o corte de quase 85% dos cargos comissionados; corte de oito secretarias centrais, para começar a construção de um Estado enxuto, com apenas dez secretarias e equipes pequenas, mas eficientes. A partir dessa base, conseguimos iniciar os caminhos que nos levarão a um Estado que volte para sua essência: prestar serviço público de qualidade à população. Um servidor a menos em cargo administrativo ou comissionado é um policial a mais na rua ou um enfermeiro a mais no hospital.
























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