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Manifesto 'Para onde caminha Santa Catarina?' repercute no Estado

13 Junho 2018 15:31:00

Documento elaborado durante o Congresso da Adjori/SC em conjunto com as principais entidades catarinenses é apresentado durante Congresso de Prefeitos.

FONTE: REDE CATARINENSE DE NOTÍCIAS
Foto: Divulgação/ Rede Catarinense de Notícias

Lideranças empresariais, acadêmicas, comerciais e industriais de Santa Catarina participaram de uma mesa-redonda durante o 46º Congresso da Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina (Adjori/SC), para discutir soluções comuns ao desenvolvimento dos 295 municípios catarinenses. Os debates resultaram no documento intitulado "Para onde caminha Santa Catarina?" elaborado em conjunto com a Agência de Gestão, Desenvolvimento Científico, Tecnologia e Inovação (Agetec) da Unisul. 

Na mesa-redonda estiveram presentes os presidentes da Adjori/SC, Miguel Ângelo Gobbi; da Federação do Comércio de Santa Catarina (Fecomércio-SC); Bruno Breithaupt; da Federação de Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte; da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado (FCDL/SC), Ivan Tauffer; da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo; e a prefeita Sisi Blind, vice-prefeita da Federação Catarinense de Municípios (Fecam).

Miguel Gobbi avalia que Santa Catarina será o primeiro Estado a unir-se em busca de soluções coletivas, justamente às vésperas das eleições, em torno de propostas comuns aos municípios. "A nossa bandeira é a integração de Santa Catarina; elevar a força e a autoestima de quem produz, de quem vende, de quem faz, ou seja, de quem tem orgulho de ser catarinense" diz ele.

O presidente da Adjori/SC explica que o movimento "Para onde caminha Santa Catarina?" não compreende propriamente estratégias de negócios. O objetivo é deflagrar um processo de unificação de interesses por um Estado ainda melhor. "Juntos, repito, nós podemos e faremos a diferença" diz ele.

A posição das instituições

A vice-presidente da Fecam e prefeita de São Cristóvão do Sul, Sisi Blind, ressaltou que o país passa por um momento difícil em áreas econômicas e políticas. "A atenção deve ser redobrada nos municípios, pois é ali que a vida e as relações acontecem. A gestão pública precisa reestruturar alguns processos, como o Pacto Federativo e a distribuição de recursos", pontuou. Para ela, o futuro do Estado depende da participação ativa da comunidade nas ações políticas.

O setor varejista foi exposto pelo presidente da FCDL/SC, Ivan Roberto Tauffer, e, de acordo com ele, o tema necessita ser discutido com todas as classes para se obter o resultado esperado. "Há ações que requerem avanços. O varejo é uma área dinâmica que reage rápido em situações adversas. Vejo que precisamos chamar a responsabilidade para todos os setores. Estamos carentes nas áreas políticas, fiscais e de infraestrutura", salientou.

Na área de agricultura, o principal pedido é a melhoria da infraestrutura das estradas, pois são através delas que os insumos percorrem no Estado. "Santa Catarina deve viabilizar melhores condições de transporte para que as cidades permaneçam abastecidas", frisou o presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo. Conforme ele, só assim a referência do Estado permanecerá em âmbito nacional e internacional.

Durante o evento, Glauco José Côrte, presidente da Fiesc, destacou o crescimento nos setores de agricultura e transporte em Santa Catarina e também a importância da formação da nova geração que, no futuro, atuará em profissões que ainda são desconhecidas, já que a tecnologia tem se desenvolvido rapidamente.

O presidente da Fecomércio-SC Bruno Breithaupt, ressaltou que Santa Catarina é destaque no setor comerciário no Brasil, mas o setor ainda passa por uma crise e busca formas de poder driblar o momento difícil.

Ao final do evento, todos os representantes assinaram o documento que também será entregue à Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), subscrevendo o que se espera para o Estado nos próximos 30 anos.

Documento repercute entre as entidades

O presidente da Adjori/SC, Miguel Gobbi, foi convidado para fazer a leitura do manifesto "Para onde caminha Santa Catarina?" durante o Congresso de Prefeitos, realizado em Florianópolis.

Gobbi fez questão de lembrar que a Adjori teve o privilégio e a oportunidade de vivenciar um momento singular, importante e inédito, referindo-se ao debate realizado a presença das principais organizações empresariais e representações de gestores públicos municipais.

Santa Catarina transformou-se num Estado com economia diversificada e desconcentrada, diz Gobbi, propiciando o alcance da qualidade de vida em cada cidade. O presidente da Adjori/SC também ressaltou que Florianópolis é a única capital que não concentra a maior população do Estado e nem lidera o ranking da economia, o que, para ele, mostra a força do interior. "É importante lembrar, com orgulho, que já no começo dos anos 60, Santa Catarina preservava e valorizava suas microrregiões".

O papel da imprensa

Na avaliação de Miguel Gobbi, os jornais do interior são capazes de representar os anseios de cada catarinense. Por isso diz ele, a Adjori estará unida em torno de propostas que possam provocar as reações necessárias para neutralizar qualquer indício de dormência econômica. Na maioria das vezes, avalia, essas situações são identificadas e pautadas pelos próprios veículos. A partir de agora será criado um grupo de trabalho para acompanhamento e aprimoramento de ideias apresentadas, com base num planejamento integrado e com ações direcionadas à revitalização do modelo de desenvolvimento catarinense.

LEIA A CARTA NA ÍNTEGRA:

SC dos próximos 30 anos

As observações, análises e as propostas abaixo refletem a preocupação dos catarinenses, por meio de associações de classe, com o agravamento e desafios do modelo de desenvolvimento do nosso Estado, que se tornou referência para o restante do Brasil. O objetivo é sensibilizar os candidatos ao governo do Estado e a mandatos legislativos para a necessidade de repensar o modelo e retomar o planejamento integrado, em busca de modelos de governança que permitam fortalecer as estruturas comunitárias dos 295 municípios, em nome do que predomina entre todos os papéis de uma gestão pública: a qualidade de vida e a felicidade do cidadão. A proposta é no sentido de se investir no projeto SC DOS PRÓXIMOS 30 ANOS.

Passado e referências

Os primeiros movimentos, que culminaram com a construção de um Estado de referência nacional, ocorreram na segunda metade do século XIX e na primeira do século seguinte, com a presença de imigrantes de diferentes etnias, povoando grande parte das microbacias. Nessas regiões surgiram e se fortaleceram as comunidades, que investiram em seus negócios e, inclusive, na implantação de universidades. Santa Catarina configurou-se como uma península, com ricas ilhas culturais, sociais e econômicas, movidas pela paixão e destemor das famílias no labor dos campos e das cidades.

A segunda razão do modelo catarinense foi a tenacidade das comunidades de investirem em sua própria universidade, o que impediu o êxodo de jovens e a formação de recursos humanos especializados. Calcula-se que, se não houvesse as universidades comunitárias, Florianópolis, onde já havia duas universidades públicas, teria atraído estudantes do interior e concentrando hoje mais de 800 mil pessoas, como ocorreram com as demais capitais dos estados brasileiros.

O terceiro movimento, impulsionado por recursos humanos especializados e lideranças técnicas exemplares, como Alcides Abreu, Glauco Olinger, Nelson Abreu, Paulo Aguiar, Osvaldo Mello, Elpídio Barbosa, Cupertino de Medeiro, Fernando Marcondes de Matos e tantos outros que contribuíram para o planejamento integrado do Estado nos anos 60 e 70, instituiu as microrregiões e os municípios como bases essenciais às estratégias de desenvolvimento social e econômico de Santa Catarina.

Foi justamente nas três primeiras décadas da segunda metade do século XX que Santa Catarina consolidou o seu modelo de desenvolvimento, pautado na desconcentração e na descentralização social, econômica e de política pública. Nesse período, o Estado implantou a necessária infraestrutura energética, de água, telefonia e de suporte ao desenvolvimento agropecuário, principalmente da agricultura familiar, além de energizar as comunidades com suas riquezas históricas, culturais e espírito de sagacidade, inovação e perseverança.

O século XXI carece de nutrientes imprescindíveis ao revigoramento e à modernização dos Modelo de Gestão Catarinense, em razão de as políticas públicas se concentrarem em gabinetes, distantes dos problemas e propostas das cidades, onde justamente se concentram os objetivos e metas do serviço público, na busca da qualidade de vida e felicidade do cidadão.

O desenvolvimento está nas cidades

As Associações, que subscrevem a CARTA SC DOS PRÓXIMOS 30 ANOS, expressam a sua preocupação com o presente e futuro de Santa Catarina e relacionam abaixo propostas e sugestões no sentido de estancar o processo de deterioração do modelo catarinense.

1 - Voltar as políticas públicas para as cidades, fortalecendo a principal missão que é a felicidade do cidadão.

2 - Investir no planejamento estratégico integrado com as microrregiões, utilizando-se do potencial de cada cidade para busca de soluções para os problemas que comprometem a vocação econômica - comercial, industrial, turística, rural, serviços e outras. Para isso, contar com a participação e propostas das Associações que subscrevem esta carta.

3 - Adotar uma política de reestruturação e modernização do serviço público, em nome da redução das atividades burocráticas e da maior qualidade das organizações para busca de respostas rápidas e eficientes à sociedade, ativar fóruns de desenvolvimento regional para executar o item 4.

4 - Adotar política integrada que mobilize e incentive todos os 295 municípios a promoverem seus sistemas, planejamentos estratégicos de forma integrada à sua microrregião e ao Estado.

5 - Envolver as universidades, principalmente as que ajudaram a construir e fortalecer as cidades do interior, com o apoio das dezenas de jornais espalhados pelas comunidades catarinenses, no processo de repensar e planejar SC DOS PRÓXIMOS 30 ANOS.

6 - Implantar uma política cultural destinada a valorizar o passado e o presente de Santa Catarina, investindo na autoestima dos catarinenses, resgatando e difundindo as riquezas culturais que dão orgulho ao Estado.

Recomendação

As associações reafirmam a disposição de redobrar esforços para Santa Catarina modernizar e revigorar o seu modelo de desenvolvimento social e econômico. E apelam aos candidatos ao governo e aos mandatos legislativos no sentido de trabalhar para que Santa Catarina seja, mais uma vez, pioneira na implantação de um modelo de gestão pública avançada, e que essas eleições passem a ser um símbolo importantíssimo das mudanças que haverão de proporcionar o desenvolvimento sustentável e de qualidade de cada uma das 295 cidades.


















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