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A Estação (Parte I)

(...) afinal, a maioria tinha vindo buscar algum parente que estaria chegando nos trens de passageiros.

ANTÔNIO IDALÊNCIO
Foto: Acervo Gentil Reynaldo

Era uma típica tarde de um sábado muito ensolarado, nenhuma nuvem no céu azul de brigadeiro, naquele que seria um dos dias mais quentes do verão, na pequena Jaguaruna, situada no extremo sul do mundo, onde a maioria dos habitantes e transeuntes circulava com camisas e camisetas de mangas curtas, e as mulheres com seus vestidos e saias esvoaçantes pelas ruas e ruelas porque o calor era sufocante. Alguns com suas reluzentes bicicletas, e na grande maioria, carroças e charretes, os mais conhecidos e usados meios de transportes da época na pequena cidade, todos movidos com tração animal, sendo que cada qual com seus cavalos muito bem tratados e escovados, afinal a maioria tinha vindo buscar algum parente que estaria chegando nos trens de passageiros, outros vieram fazer compras de suprimentos nos armazéns e lojas da cidade para a próxima semana, e ainda alguns que vieram com suas famílias para missa do sábado na igreja matriz.  

Naquela década, pouco progresso tinha chegado à pequena cidade ainda, sendo que os veículos movidos a motor eram muito raros e somente algumas famílias mais abastadas ou comerciantes possuíam automóveis para seus passeios e viagens com suas famílias. Eram os famosos DKW Wemag, Wemaguet 1001, Gordini, Sinca Chambord, Ford Mercury, Studibaker, Aerowillys, Rural Willys e, com certeza, muitos fusquinhas cor de café com leite ou azul calcinha, e outros poucos mais que não passavam de umas duas dezenas em toda a cidade. A grande maioria dos carros, nesta época, usava o estilo de pintura de duas cores, chamado de saia e blusa.

Lembro muito bem do primeiro táxi da cidade, um Ford Mercury preto sedã, era o maior luxo, cujo ponto era na residência do proprietário Sr. Zuzu. Os meios de transportes mais usados eram os trens de passageiros e as duas únicas linhas de ônibus quer serviam a maioria da população.

Linhas de ônibus que interligavam durante o dia as cidades polos da região, Tubarão e Laguna. Para Tubarão partia da estação ferroviária às 08 horas o ônibus Ford 1945 azul e branco do saudoso Sr. Dionísio, com retorno às 12 horas, lotado de passageiros. Quem não fosse de ônibus, consequentemente iria no trem das 9, cuja viagem era mais barata, mas também mais demorada e desconfortável, além do barulho e o cheiro da fumaça. Mas era o que se tinha para a época.

Para Laguna também, às 13 horas partia o ônibus do seu Neri cor verde e laranja, que fazia a linha via Camacho passando pela barra de Laguna atravessando a balsa até chegar à cidade. Era uma verdadeira aventura, pois asfalto não existia, eram todas estradas de chão batido, mas mesmo assim os ônibus chegavam mais rápidos, porque o trem parava em várias estações até chegar ao destino final.

A indústria não tinha chegado ao município, a cidade sobrevivia basicamente da agricultura de subsistência, com o cultivo da mandioca, milho, feijão, melancia e outras pequenas culturas na zona rural, o comércio era pequeno com alguns armazéns de secos e molhados, onde se vendia de tudo, e algumas poucas lojas de tecidos e confecções. (Armazém São Luiz, Armazém do Sr. Pedro Basílio, Armazém do Sr. Gerônimo, Loja do Sr. Luiz Schmitz, Loja do Seu Bento, Loja do Sr. Celso Schmitz, farmácia do Sr. Armando Machado, única da cidade, e outras mais).

Havia alguns comerciantes mais abastados com depósitos de farinha de mandioca, que compravam dos agricultores para depois revenderem para outras cidades com os transportes realizados pelos vagões nos trens que faziam os trajetos, Araranguá - Imbituba e Imbituba - Araranguá. Uma outra atividade que existia era a extração de pedra para manutenção da estrada de ferro, na grande pedreira próximo à ponte de ferro, onde empregavam em torno de uma centena de funcionários e alguns mais que trabalhavam nos moinhos de calcário dos Malaquias, que era uma família com um poder aquisitivo maior. Havia também a extração de conchas dos sambaquis para produção de calcário e que eram embarcados nos vagões da ferrovia, praticamente todos os dias. (Continua na próxima semana...)


















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