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Incertezas políticas são a principal razão do pessimismo com a economia

16 Agosto 2018 17:23:09

A confiança de micro e pequenos empresários cresceu na passagem de junho para julho, porém, mesmo com o aumento, o dado permaneceu abaixo da média.

REDE CATARINENSE DE NOTÍCIAS
Foto: Murici Balbinot

A pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostrou que no último mês a confiança atingiu 48,9 pontos na escala de 0 a 100. Em junho, o indicador marcou 47,4 pontos.  

Para 63% dos micro e pequenos empresários o cenário econômico piorou nos últimos seis meses. Apenas 12% visualizaram melhora. Para outros 25% o quadro não se alterou. Quando a análise se detém ao seu negócio, o percentual de empresários que sentiram piora na performance de suas empresas diminui para 46%, mas ainda assim é a visão predominante para a maior parte dos entrevistados. Apenas 18% notaram alguma melhora nesse intervalo dos últimos seis meses.

A queda das vendas (76%) é o sintoma mais evidente da crise para aqueles que apontaram piora na própria empresa. Para 36% o aumento nos preços de insumos e matéria-prima prejudicaram a performance no período, e 15% citaram inadimplência dos clientes. Para os que sentiram melhora dos negócios, a maior parte (55%) atribui essa percepção ao aumento das vendas.

Futuro

De acordo com o levantamento, mais da metade (56%) dos micro e pequenos empresários manifestaram otimismo com os próximos seis meses do seu negócio - os pessimistas representam apenas 13%. Por outro lado, entre os pessimistas, 51% acham que as vendas estão em baixa e um terço (34%) tem a opinião de que que é difícil empreender no Brasil. As incertezas políticas (59%) são a principal causa dos que estão pessimistas com o futuro da economia.

Entre os que manifestam otimismo com relação ao seu negócio, a razão predominante são os investimentos que realizaram no empreendimento (35%) que imaginam que renderão bons resultados. Há ainda um terço (33%) de entrevistados que confiam na boa gestão do negócio e 29% que não sabem explicar as razões do otimismo. Para os que confiam na melhora da economia para daqui seis meses, a maior parte (55%) não sabe explicar os motivos deste sentimento: apenas confiam que coisas boas devem acontecer. Há ainda 24% que citam a melhora gradual de alguns índices econômicos.

Avaliação

Para o presidente da CNDL, José Cesar da Costa, a tímida melhora do cenário econômico, com inflação sob controle e manutenção dos juros em baixo patamar, ainda não se traduziu em melhora efetiva no dia a dia do empresariado. "A recuperação econômica segue lenta e vem frustrando as expectativas de que poderia esboçar uma reação mais rápida neste segundo semestre. Houve uma frustração no ritmo de melhora e o quadro geral se deteriorou nos últimos meses, sobretudo após a crise de desabastecimento com a greve dos caminhoneiros. Além disso, o grau de incerteza no campo eleitoral impacta a confiança e a disposição dos empresários de menor porte em realizar investimentos", afirma o presidente.

"Os dados mostram que o micro e pequeno empresário brasileiro mantém boas perspectivas mesmo diante de um cenário adverso. Isso pode se explicar pelo fato de que muitos deles acreditam que uma gestão eficiente de seu próprio negócio pode ajudá-los a enfrentar as dificuldades impostas pela crise", diz o presidente do SPC Brasil Roque Pellizzaro Júnior.



















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