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Vivemos um tempo em que nos falta tempo

22 Fevereiro 2018 16:09:49

Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias, o reitor da Unisul, Mauri Luiz Heerdt, falou sobre os novos tempos da educação no Brasil e no mundo, ensino à distância e as oportunidades que surgem com a crise, além da parceria com a Associação dos jornais do Interior de Santa Catarina (Adjori/SC). Confira:

Foto: Divulgação/ RCN

Rede Catarinense der Notícias (RCN) - Professor, uma parceria firmada entre a Adjori e a Unisul permitiu a criação da Universidade Corporativa Adjori/Unisul, no ano passado. Às vésperas do início do primeiro curso a distância aos associados, como o senhor avalia esta novidade? O que o senhor espera e o que já pode ser evidenciado? 

Mauri Luiz Heerdt - Entendo esta parceria entre Unisul e Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina como um valioso instrumento que faltava para acelerar o desenvolvimento dos jornais do interior do nosso Estado. Não me refiro somente aos benefícios que serão aproveitados na melhoria dos processos de gestão dos jornais associados à Adjori, mas ao reflexo direto na qualificação dos jornalistas atuantes nos veículos associados. Assim que foi criada essa Universidade Corporativa, a iniciativa já deu mostras dos possíveis bons resultados advindos do trabalho praticado em conjunto. Exemplo disso, é o seminário virtual Forma e conteúdo para apresentar seu projeto gráfico, ministrado em novembro de 2017 para cerca de 60 participantes residentes em diversas regiões do Estado, estabelecendo uma perspectiva de acréscimo na competitividade com base em táticas para melhorar conteúdo dos textos, bem como sua organização estética. O êxito do seminário confirmou as boas projeções dessa parceria e ofereceu uma prévia do que poderá ser alcançado com o curso de Projeto Gráfico e Design, na modalidade a distância, que terá início em 26 de fevereiro. Sem dúvida, o crescimento profissional dos jornalistas que participarem do curso se manifestará em suas futuras produções, provocando outros jornalistas na busca por melhor qualificação, o que, por sua vez, atuará positivamente na relevância dos jornais como informantes de conteúdo para a população. Neste processo, o que mais uma vez alcançamos é o cumprimento de nossa Missão como Universidade Comunitária e Inovadora, pois é por intermédio de parcerias e projetos úteis como este, que colaboramos efetivamente para o desenvolvimento das regiões onde estamos presentes. Esta é uma história que a Unisul quer escrever junto com os jornais integrantes da Adjori.

RCN - Com a Unisul Virtual, a universidade está ultrapassando as fronteiras de Santa Catarina. Como está a aceitação do Ensino a Distância no Estado e no País?

Heerdt - Sim, a Universidade pôs abaixo seus "muros" como efeito da própria diluição das fronteiras de uma sociedade que sociólogos como Zygmunt Bauman definem líquida, fluida. O crescimento da EaD em nosso Estado reflete, assim, uma situação que se observa tanto no Brasil como no restante do mundo. Desde o final do século XX temos falado que o mundo está mudando. Passados quase vinte anos após o início do século XXI, embora continue em seu processo de transformação, faz mais sentido dizer que o mundo já mudou em muitos aspectos. Vivemos um tempo em que na educação, por exemplo, a rigidez do formato tradicional se tornou incompatível com a intensa busca por novas oportunidades, o desejo de desenvolver múltiplas habilidades, as alternativas criadas pela economia criativa, pelo empreendedorismo, pela facilidade e rapidez com que acessamos às informações. Vivemos um tempo em que nos falta tempo. Com sua flexibilidade, o Ensino a Distância vem, exatamente, suprir essa exigência quanto à agilidade nos estudos e novos meios de se adquirir formação. É importante destacar que as mensalidades mais baratas da EaD também exercem um forte atrativo. Temos alguns dados divulgados pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) que comprovam esse crescimento da EaD, com cerca de 23,1% de concluintes em comparação a aproximadamente 9,4% nos cursos presenciais. Ainda segundo a ABED, em 2014, o total de matriculados já alcançava cerca de 3,8 milhões. Paralelamente a todos esses fatores, o acesso à internet se ampliou no Brasil. As novas possibilidades são inúmeras. São tantas que a Unisul criou o Inova EaD, iniciando pela remodelação do seu espaço virtual de aprendizagem, o EVA, resultando em uma interface mais clara e atraente, incluindo ampliação da simples oferta de cursos para a oferta igualmente de soluções e serviços que irão beneficiar ainda mais a comunidade. Na Unisul, ensino a distância e presencial estão cada vez mais próximos e isso multiplica as condições, as oportunidades e as experiências relevantes para produção e aquisição de conhecimento.

RCN - O ano de 2017 foi difícil para a economia. Houve reflexos também no Ensino Superior?

Heerdt - Esta questão está em parte descrita na resposta anterior, de modo que posso dizer que mesmo antes de 2017 temos sentido o impacto das exigências de um mundo que já não se move de acordo com os padrões de vinte e cinco ou trinta anos atrás. Paralelamente às alterações e avanços decorrentes da tecnologia, o Brasil tem vivido dificuldades econômicas que afetam o poder aquisitivo das famílias e, em consequência, as condições para pagar os estudos de seus filhos. Obviamente, as instituições de ensino superior não conseguiriam sair incólumes desse cenário. Na verdade, nada no País pode sair ileso de um montante de 13,5 milhões de desempregados e queda de 3,6% do PIB - registrados em 2016, segundo o IBGE. Isto significa que não apenas tivemos redução no número de matrículas e crescimento de situações de inadimplência, mas também sofremos um aumento significativo de evasão de estudantes. Reflexos muitos sérios, como se pode perceber.

RCN - Quais serão os principais desafios da Unisul em 2018 e para os próximos anos?

Heerdt - Os principais desafios têm relação direta com o exposto acima. É necessário compreendermos que a sociedade está produzindo novos parâmetros comportamentais e tecnológicos que, por sua vez, determinam os novos e irreversíveis rumos da educação, sendo seus efeitos muito amplificados pela crise brasileira na economia. Os desafios, portanto, podem ser descritos resumidamente em uma única ideia, pois ela define o centro de um alvo cujas diferentes esferas de providências dela dependem, ou seja, o alvo é desenvolver e aplicar estratégias de inovação. Por mais que sejam indesejadas, crises são território privilegiado para as mentes inovadoras.


















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