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Um susto, uma batalha, uma vitória

22 Outubro 2015 22:10:21

Redação Folha Regional
Vanderleia Pereira/ FR
Foto: Vanderleia Pereira/ FR

A história da jovem Liziane Frasson, que aos 19 anos ficou sabendo que estava com câncer de útero, é um exemplo de superação e de que a fé e o apoio da família são imprescindíveis no combate a esta doença que assunta e que em muitos casos leva a pessoa à morte.

A jovem, que mora na comunidade de Poços, em Jaguaruna, conta que levava uma vida normal, sem problemas de saúde ou qualquer indício mais forte de que estava com algum problema mais sério. “Eu sentia um desconforto no abdômen, mas achava que era resultado do meu trabalho, eu era secretária na época e ficava o tempo todo sentada. Aí um dia eu senti uma cólica menstrual muito forte, fomos até o hospital, o médico deu uma olhada me receitou um Buscopan e eu voltei para casa. No entanto, a dor não passava e acabei retornando ao médico, mas desta vez em Tubarão”.

Ela voltou ao hospital com hemorragia, foi operada e retiraram um cisto do ovário. “Uma bateria de exames foi feita, fizeram uma biopsia e aí constataram que eu tinha câncer. Quando o médico nos chamou, eu e os meus pais, para dar a notícia, dizer que eu precisava fazer quimioterapia, na hora não consegui assimilar a informação”.

Ela conta que ficava imaginando a preocupação dos pais, o medo que eles estavam sentindo. “Eu lembro que depois do médico fomos visitar um amigo dos meus pais em Armazém e durante a viagem eu fui pensando em todas as pessoas que eu conhecia e que tinham passado por esta doença e vencido. Aí eu disse para a minha mãe e para o meu pai que iríamos vencer essa batalha, que tudo isso seria passageiro”.

Mesmo com a confiança de que a doença seria vencida, naquela noite ela chorou. “Chorei muito, não tinha como não pensar em tudo que iria passar nos próximos meses. Foi um choro de desabafo”.

No dia seguinte, ela, juntamente com a irmã velha, deu entrada em todos os papéis junto à Secretaria da Saúde do município para dar início ao tratamento. “Eu acompanhei todo o procedimento, sentia que era necessidade saber todos os passos, os caminhos, lembro que minha irmã não queria que eu fosse junto, me poupar das notícias que iria receber, fazer com que o caminho fosse mais leve, no entanto, saber o que eu iria enfrentar me deixava mais tranquila”.

Ela começou a fazer a quimioterapia em janeiro de 2007. “A primeira sessão foi no dia oito de janeiro. Foram quatro ciclos num total de 20 sessões. As sessões se encerraram no mês de abril. Tudo foi feito através do SUS. As aplicações eram realizadas pela equipe do Cepon, Centro de Pesquisas Oncológicas em Criciúma, uma equipe muito boa, profissionais que ajudam muito a gente a superar essa fase”.

Além de todo o acompanhamento profissional, em casa, o apoio da família e dos amigos foram fundamentais. “É um período difícil, mas que não adianta nada ficar chorando e reclamando, claro que tem dias que se está mais baixo astral, mas é nessas horas que a família entra com uma injeção de ânimo, uma palavra que conforta, apoia, que eleva o espírito. Família e amigos nessa hora é muito importante”.

Um dos momentos mais marcantes quando uma pessoa começa a fazer a quimioterapia é a perda do cabelo, no entanto, Liziane decidiu fazer deste momento, algo sem muita importância. “Eu não queria aquele sentimento de perda, de ir pentear o cabelo e ver que estavam caindo aos montes. Pra que ficar se martirizando? Eu decidi que eu mesma iria cortar e foi isso que fiz, fui a uma cabelereira amiga minha e cortei bem curtinho. Assim quando o tratamento estava sendo realizado não senti aquela dor. E quando vi que precisava mesmo ser raspado eu fui na casa do meu padrinho e pedi para que ele raspasse. No início ele disse que não faria, mas depois de eu pedir mais algumas vezes ele concordou”.

Na alimentação Liziane diz que teve toda uma orientação dos nutricionistas do Cepon. “Eu fui muita cuidadosa, tive um acompanhamento da equipe do Cepon, tive sorte também, pois a minha imunidade não baixou. Eu pude comer de tudo, não enjoei nada em relação à comida. As únicas coisas que enjoei foram um tipo de sabonete que usávamos aqui em casa e a pasta de dente que utilizei era um infantil, essa também não podia nem sentir mais o cheiro”.

Durante cinco anos Liziane fez o tratamento e ficou aguardando receber a notícia de estava de alta, de que finalmente estava liberada. Essa boa notícia era para acontecer no ano de 2012, quando ela fez a última tomografia no mês de outubro. “Quando veio o exame e eu abri e vi a palavra relacionada a câncer. Quando fui mostrar os exames para o doutor Alexandre Mateus, as minhas suspeitas se confirmaram. Eu teria que fazer mais uma cirurgia, na hora pensei que teria que passar por tudo aquilo novamente. Durante a conversa eu disse a ele que o autorizava retirar todo o meu ovário esquerdo, eu já havia retirado o direito na primeira cirurgia, que ele poderia tirar as trompas, útero, fazer tudo o que fosse necessário. Eu preferia assim do que ser mutilada aos poucos”.

 O médico disse que faria o que fosse necessário. A cirurgia aconteceu no dia 7 de setembro de 2012. “Diferente do que eu pedi, ele retirou apenas o ovário esquerdo, na hora eu fiquei muito brava, pois ele não havia me atendido, mas claro que hoje eu entendo, eu não poderia tirar tudo se não havia um motivo”.

Após a segunda cirurgia Liziane não precisou fazer quimioterapia. “O cisto no ovário esquerdo não era maligno, não havia propriedades metástase”.

No último dia 17 de julho deste ano, aos 28 anos, Liziane Frasson recebeu a notícia que tanto esperava. “Foi um momento de libertação. Eu fui até o Cepon com os exames em mãos e com a esperança de que desta vez tudo estava em ordem. Quando cheguei lá falei para o médico que acompanhou o tratamento desde o início, que esperava ser a última vez e ele disse que se dependesse dele seria. Então ele abriu e leu o resultado final e disse que sim, eu estava liberada”.

Ela conta que as lágrimas começaram a cair sem ela perceber. “Despedi-me do médico, sai do consultório, fui até a rua e não parava de chorar. Quem olhava pra mim naquela situação pensava que a notícia que eu havia recebido deveria ser péssima, mas a verdade é que eu chorava de alegria, de alívio, era o choro da vitória, depois de tanto tempo a batalha estava vencida”.

 

 

 

 

 

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