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Pequena propriedade, grandes resultados

18 Novembro 2011 10:46:00

?O que a gente tira da terra não é nada mais do que colocamos nela?. Tal afirmação não é de nenhum filósofo, tão pouco de um político, de um cientista, de um professor ou de um engenheiro. A bem da verdade, a frase acima é de um agricultor, que na sua maneira simples de encarar a vida, consegue reunir em si e no seu trabalho, a filosofia, a política (não partidária), a ciência, a engenharia e a vocação de ensinar.

Turossi
Foto: Turossi

Orivaldo Turossi, 58 anos, exibe um largo sorriso ao mostrar as mais 60 variedades que planta em pouco mais de 2 hectares, localizado na comunidade de Vila Rica, Morro da Fumaça. Ao todo, segundo o agricultor, são mais de 60 mil pés entre frutíferas, hortaliças e leguminosas.  Do que colhe em sua propriedade, Turossi consegue manter um bom padrão de vida, provando que planejamento, trabalho e informação fazem a diferença também para o pequeno produtor rural.
Mas nem sempre foi assim. Turossi afirma que aprendeu muito com os erros e com os reveses da vida. Antes de vir para Morro da Fumaça, o agricultor residia numa pequena propriedade no município de Timbé do Sul. Lá se dedicava a monocultura do fumo. “A vida era difícil, mas a gente sempre foi se acostumado com o trabalho pesado da roça. O que plantávamos dava para manter a família, mas a gente só dependia daquilo (fumo). Se a lavoura do tabaco desse preço e qualidade, as coisas iam bem, se a produtividade ou o preço não fosse bom, a gente sofria.
Em 1995, o que não era lá muito bom ficou ainda pior. Uma grande enchente praticamente destruiu as lavouras, causando um grande estrago na propriedade. “Ficamos sem nada. A lavoura foi toda levada pelas águas. Estávamos numa situação muito difícil. A solução foi mudar. No mesmo ano viemos para Morro da Fumaça, na comunidade de Linha Torrens, para trabalhar como arrendatário nas terras do senhor Fernando Guollo, onde plantamos fumo. No ano seguinte, mudamos para a propriedade da senhora Otávia Frasson, onde permanecemos por três anos cultivando o tabaco”, relata.
Com muito trabalho e economia, o agricultor conseguiu reunir um pouco de dinheiro para dar de entrada na compra do terreno, onde mora atualmente. “Os 20 hectares custavam R$ 60 mil. Eu consegui 30, mas o proprietário aceitou que eu pagasse os outros R$ 30 mil na colheita do fumo. Eu fiz as contas e cheguei à conclusão que conseguiria levantar o valor”.
A lavoura estava indo bem, mas no meio do “caminho” um processo  ambiental praticamente colocava por terra o empreendimento. “Recebi uma multa de R$ 30 mil, o que praticamente me levaria a bancarrota”. Turossi disse que para seguir em frente contou com o apoio de muita gente amiga que prestaram solidariedade nas horas mais difíceis e isso fez a diferença. “As vezes uma palavra boa é tão ou mais valiosa quanto o dinheiro”, observou.
Mesmo com as dificuldades, o agricultor resolveu seguir em frente, pois se estava difícil trabalhando, ficaria muito pior se desistisse.  No final do ano a safra foi suficiente para terminar de pagar o restante do terreno e a multa, por um erro do processo, só comecei a pagá-la sete anos depois. Mas isso para mim foi como uma faculdade. Eu agradeço de coração quem fez a denúncia, pois depois da multa, fui procurar ajuda e encontrei nos técnicos da Epagri uma parceria valiosa. Foi depois disso que eu, orientado por eles (Epagri), comecei a diversificar a produção”, afirma.
O resultado da nova postura do agricultor o tornou conhecido em toda a região. Frequentemente sua propriedade é visitada por centenas de alunos, que vem ver de perto o exemplo de produção com sustentabilidade. Além de produzir, hoje Turossi é um defensor do meio ambiente.  Dos 20 hectares de que dispõe, 14 possui de mata nativa e dois são destinados ao cultivo.
Turossi , que aboliu a plantação de fumo, disse que não existe segredo para obter bons resultados com a agricultura. “O importante é estar aberto para novas experiências e seguir a risca as orientações dos técnicos”, salienta.
O sistema de manejo de culturas, segundo ele, ajuda a equilibrar o solo e manter a fertilidade, pois cada tipo de planta retira e devolve ao solo substâncias diferentes, além de evitar pragas e doenças, diminuindo muito o uso de defensivos. “O importante é ter sempre alguma coisa produzindo. Assim, não tenho períodos de entressafra e faturo o ano inteiro”, observa. Outro fator importante, é a utilização de pouca mão-de-obra. “Como o espaço de plantação é pequeno, praticamente eu e a mulher damos conta do recado. Quando o serviço aperta, contratamos um ou outro ‘camarada’ para ajudar”, revela.
Atualmente sua propriedade está servindo de base para um projeto desenvolvido pela Epagri. Trata-se de um sistema de culturas desenvolvido em 2 hectares, cujo objetivo é fazer o agricultor obter renda suficiente para sua manutenção no campo.

Redação Folha Regional/ Morro da Fumaça

 

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